
Dorme com o telefone do lado da tua cama, deixa ele bem pertinho de ti. Dorme com ele ao alcance da mão, porque a madrugada clareia minhas ideias e me faz pensar no que é melhor para mim. Ou seja, me afastar de você. Isso mesmo - fugir disso tudo. Essa noite, eu vou te ligar, amor. Vou reunir toda a minha pouca coragem e os vestígios do meu orgulho e vou discar teu número. Eu te imploro, não me impeça de falar. Deixe que o fluxo de palavras saia pelos meus lábios, deixe as lágrimas caírem e até secarem. Não precisa entender - eu só quero que você saiba de uma coisa: eu estou fora. Você não ouviu mal, amor. Eu cansei de sempre começarmos algo com a esperança de ser eterno, e não conseguirmos nos manter acesos por pouco mais de uma semana. Eu quero paz, quero o silêncio. Desculpa, mas eu não aguento mais brigas. Não aguento mais a gritaria que é a minha mente. Anjo, eu preciso de alguém que me faça companhia, que não questione minhas loucuras, que entenda meus momentos de revolta e não os enfrente. Alguém que não me mude mesmo sem me compreender. E não dá mais, meu bem. Nós dois somos complicados demais para a simplicidade que deveria ser o amor. Tão fácil, tão leve… E nós transformamos isso tudo em uma bola de neve com todos os sentimentos acumulados. Paixão, orgulho, raiva, ódio, vontade. Confusão. Discordância. Vontade de falar e medo de ouvir. Entende? Você se tornou um espetáculo grande demais para o minúsculo palco que é meu coração. Por isso, te expulso. E desisto de nós. Me perdoa por não ser forte o suficiente, eu tentei. Ana F (salt-waterroom)